Cuidar das pessoas sempre foi minha vocação — por isso me tornei podóloga. Mas, ironicamente, enquanto tratava unhas doentes o dia inteiro, ignorei as minhas próprias. Ficar horas em pé, usando sapatos fechados e luvas, parecia inofensivo… até que um pontinho branco no dedão virou um problema que eu não conseguia mais esconder.
No começo, a unha só ficava sensível depois de longos atendimentos. Com o tempo, ao final do dia eu mal suportava o peso do corpo dentro do tênis.
Quando chegava em casa, tudo que eu queria era tirar os sapatos e respirar aliviada — mas bastava olhar para aqueles dedos amarelados para sentir vergonha de mim mesma.
Meses convivendo com micose atrasaram a minha vida.
É assustador como um “manchinha” discreta pode, sem perceber, transformar cada passo num lembrete de dor e constrangimento.
Quando a infecção piorou, a unha começou a engrossar e pressionar a pele ao redor. Eu passava creme antimicótico às pressas entre um paciente e outro, mas nada resolvia.
No consultório, alguns colegas riram quando me viram evitando chinelos estéreos. Pensaram que era frescura… mas por dentro, eu morria de vergonha.
Ter mais de 40 anos e sentir tanta insegurança por causa das próprias unhas foi uma das piores sensações da minha vida.